Além de Sete Gafes do Festival de Dança de Joinville - 2009

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O Festival de Dança de Joinville, de 2009, iniciou com um tombo no palco. A Noite de Abertura começou com as breves palavras proferidas pelo Prefeito da cidade, Carlito Meers, seguidas do belíssimo discurso do Governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, que discorreu, com maestria e memória invejável, sobre o número sete, mencionando, por exemplo, os sete melhores bailarinos da história da dança mundial. Informou que o evento tornou-se o maior do mundo, de acordo com o Guiness Book(Livro dos Records) e encerrou saudando o Brasil! Oportunidade desprezada, pelo Governador, de se dirigir aos estrangeiros presentes, como o grupo de dança francês, convidado da noite e até os integrantes da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, que ele mesmo importou da Rússia. Um minuto de silêncio para Michael Jackson, trocado pela obrigatória execução do Hino Nacional. Discursos encerrados desceram do palco dois partidos políticos rivais, abraçados, diante da platéia votante perplexa. Quanta diplomacia em nome da dança! Dois grupos de dança de rua foram convidados para a Noite de Abertura, e dançaram em ordem inversa: o anfitrião, brasileiro, vindo do Estado de São Paulo, foi o primeiro a se apresentar e, somente após o intervalo, a Companhia de Dança Francesa, com o público se retirando no escuro – quanta educação! Que nos chamem a atenção os críticos de dança, pois somos um grão de areia da platéia leiga, mas ambos dançaram num solo urbano e bem limpo, uma modalidade inédita por aqui - a Dança de Rua Contemporânea, que mais parecia um híbrido de break e jazz futurista, com figurino minimalista clean, sob raios de luz e ondas de som monótonas. Na Cidade dos Príncipes, das Bicicletas, das Flores, na Capital da Dança, não havia nenhum príncipe, nem sombra de bicicleta ou flores atiradas à bailarina de qualquer Escola de Dança anfitriã, sediada em Joinville, na primeira Noite Especial da 27ª edição do Festival. Noutra noite, passeando pela Feira da Sapatilha, fomos atendidos, num dos stands por profissionais e um pianista, da única Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, comercializando produtos personalizados, ao invés de estarem exibindo seu maravilhoso talento, em costumeiro grande estilo, no palco principal do Festival. Rodeando o stand estavam os esforçados alunos da Escola, que humildemente assistiam admirados a injúria da platéia, que raramente os assiste. Será que faltou convite para o Bolshoi se apresentar neste Festival? Na Noite de Gala, sob a mira do Governador do Estado de São Paulo, José Serra, do Governador e da Primeira Dama de nosso Estado, além do Prefeito de Joinville, acompanhado do Secretário Municipal de Incentivo à Cultura, camuflados nos camarotes, mas cumprimentados, na metade da breve Noite Especial, pelo cerimonial, apresentou-se a única Companhia de Dança convidada, novamente vinda do Estado de Serra, que, no primeiro ato, dançou ballet moderno, salvo em tempo, no segundo, por um clássico perfeito, levantando o exigente público do Centreventos Cau Hansen. Ágeis e trajados alunos da Escola Russa no Brasil deram o ar da graça no palco, não para mostrar o que aprendem, mas para entregar flores à primeira bailarina do Ballet convidado. Lindo gesto, de chorar – de vergonha! Será que Serra e todos que vieram de um dos mais desenvolvidos Estados brasileiros não mereciam assistir a uma apresentação do que os Russos fazem de melhor por aqui? No final houve um surpreendente anúncio, de que o público tinha direito à avaliação escrita da Noite de Gala. No segundo tempo, do penúltimo dia, ganhou o palco a Noite Competitiva de Dança de Rua, que, despretensiosamente, deu tapa de luva de pelica em quem elege os convidados das Noites Especiais do Festival, já que bailarinos de duas Escolas de Dança do Rio de Janeiro e uma, de Minas Gerais, pararam o trânsito das ruas de Joinville, dançando com muito estilo, ginga, técnica e toda a energia que a modalidade requer. Os três grupos que mais se destacaram mostraram sua arte, acertando coreografia, figurino, sonoplastia, iluminação, sincronia, união, harmonia, sobretudo dança de rua, arrancando gritos estridentes da platéia, em êxtase, que se esqueceu de levantar para aplaudir. Em suma, arrebentaram com as ruas do Festival de Dança de Joinville 2009. O que nos resta é consertar os furos, para o próximo Festival, de 2010. Deve haver muito além de sete razões para esta cidade, de elevados índices econômicos, como o Produto Interno Bruto(PIB), ou o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias(ICMS), importar uma Escola da Rússia, atualmente bem cobiçada por outro Estado, para manter o talento dos profissionais apenas a fim de ensinar crianças e adolescentes carentes e colocá-los no palco somente para entregar flores a bailarinos convidados ou vender produtos numa feira. Será que adianta sugerir que nomeiem a Escola do Teatro Bolshoi, orgulhosamente sediada em Joinville, como anfitriã oficial do Festival e convidá-la para encerrar as três noites especiais, com um de seus espetáculos decorados na ponta da sapatilha por seus alunos formados? Sim! Isto mesmo - o Bolshoi formou sua primeira turma em 2008 e agora chegou a nossa vez de valorizar a Escola inteira, cuja infra-estrutura e organização são admiradas por todos que a visitam e bem sabemos que isso não é fruto apenas de patrocínio, mas de amor e dedicação obstinada de toda a equipe e alunos. A última foi a Noite dos Campeões 2009, mas continuará sendo a noite de todas as Escolas e Companhias de Dança que por aqui passaram, desde a primeira edição, idealizada e colocada em prática com pouco apoio e muita dificuldade, há quase 30 anos atrás, pelo Professor Carlos Tafur e Albertina Ferraz Tuma. Também é a noite de todos os bailarinos que tentaram, e por qualquer motivo não conseguiram dançar em um palco que fosse, de todos colaboradores, patrocinadores e visitantes, para que este evento se realize todos os anos e promova arte de qualidade no Brasil, trazida com suor de cada um que trabalha e luta para ele acontecer, que ensina, costura, arruma, maquia, penteia, ensaia, corrige, acompanha, que dança, sendo aplaudido ou criticado, que cobre com suas matérias, fotografias divinas, ou com filmagens espetaculares, que apóia moral e financeiramente seus patrocinados, sejam eles pessoas físicas, ou jurídicas e daqueles que prestigiam, tornando este o melhor Festival de Dança! Os campeões são os que dançam na última noite do Festival, mas os heróis são todos os que acreditaram, e continuam lutando, para que ele se realize aqui, na Cidade Industrial dos Operários da Dança, a melhor do mundo para quem nasceu, adotou, visita e ama. Reconhecemos o esforço de todos os grupos de dança que passam pelos palcos de Joinville, mas, a platéia das noites especiais poderia ser brindada com profissionais da dança de reconhecido valor, ou com alunos de destaque nacional e internacional, para fazer jus ao título de melhor do mundo. Nas três noites especiais o público, de quase três décadas de fidelidade, merece assistir bailarinos mostrando a arte que exaustivamente desenvolveram, com amor, fazendo a platéia ovacionar de emoção! Falta-nos educação para receber os bailarinos e toda a equipe que os apóia, cultura para valorizar o que conseguimos, através da luta de imigrantes estrangeiros, oriundos de varias nações, desde a fundação da cidade até hoje, tornando seus herdeiros brasileiros de Fé, sabedoria para brindar a saúde de quem se dedica à nobre arte de Dançar, e até infra-estrutura para acomodar todos brasileiros e estrangeiros que prestigiam o Festival. Acorda Joinville! Para não sambar um ano inteiro e, nas férias de julho, entregar, de mãos beijadas, os bailarinos, as Companhias e as Escolas do Maior Festival de Dança do Mundo à outra cidade, o que seria considerado, por muitos, o oitavo dos Pecados Capitais. Chegou a hora de descansar, de esquecer todas as gafes, para recomeçar, com o objetivo de tornar este que findou o Melhor Festival de Dança do Mundo, considerado pelo coração de quem, de alguma forma, participa do evento, que em 2010 poderá ser aperfeiçoado em todos os aspectos, pelos que o amam. Dance em Joinville! Ursula G

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